toda a gente, em determinado momento sente um desajustamento de si em relação a alguma coisa, qualquer coisa que seja. o mais estranho é quando esse desajustamento se verifica em relação a pessoas que nos são muito próximas, de quem gostamos e com quem partilhamos grande parte dos dias. a verdade é que há alturas em que as relações humanas parecem funcionar numa estabilidade quase perfeita na qual todas as coisas estão no seu lugar devido e depois, há outras circunstâncias em que tudo parece desordenado, num caos cínico e artificial. e o problema está quando me apercebo que estas impressões não advêm apenas do álcool e quando em pleno estado de sobriedade do espírito as acções parecem irónicas e as palavras sucedem-se num modo operacional totalmente automático. as conversas ganham sempre entrelinhas e subtextos e as expressões revelam-se sempre muito pouco genuínas.
uma vez disseram-me que eu era pouco transparente e nunca na vida, em algum momento, me tinha sequer ocorrido que alguém pudesse pensar isso sobre mim. a verdade é que hoje, eu própria considero-me pouco transparente porque é esta a postura que adopto, inconscientemente ou não, perante o facto de sentir que afinal não conheço as coisas tão bem como pensava e à minha volta as pessoas vestem personnas a toda a hora. já não há espontaneidade, já não há genuidade, há apenas hipocrisia e um conjunto de factores de conveniência.
não acredito nas coisas, não acredito nas pessoas. e não espero que ninguém acredite em mim.
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